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domingo, 1 de março de 2015

Os Excluídos


Com este artigo procurei provar e comprovar que qualquer definição de algo, de alguém ou de qualquer coisa, é excludente de todas as demais coisas.

Quer dizer, ao definirmos uma cor excluímos a definição das demais e perdemos a noção do "Todo", do que se define como sendo a Unidade.

Mas, como poderíamos definir a Unidade, considerando que toda a definição de algo é excludente das demais coisas. Não há mais coisas fora da Unidade, logo a Unidade não se define neste plano de encantamentos.



OS EXCLUÍDOS


Os excluídos são os encantados!

Estão excluídos de um conjunto harmonioso Racional. E é por isso que os excluídos vivem como vivem, assim deste jeito.

Excluído quer dizer, não participante, isolado, inativo, desconhecido da Razão, desconhecido do todo universal.

Quando falo excluído me refiro a este mundo deformado, tudo e todos, e eu próprio que sou mais um excluído.

A palavra árvore nos traz a ideia da árvore como vegetal e assim, com essa palavra, excluímos todo o restante do universo.

A palavra água nos mostra a água e excluímos assim a terra.

Mas, onde acaba a água e começa a terra, se toda a água tem terra e toda a terra tem água.

Onde acaba a árvore e começa o chão, se todo o chão tem árvore e toda a árvore tem chão.

O rico exclui o pobre, o pobre exclui o rico; o vermelho exclui o amarelo, o amarelo exclui o vermelho e assim por diante.

Somos excluídos totalmente. Mas, se assim somos, é porque nós mesmos nos excluímos por livre arbítrio.

Fomos nós mesmos que criamos estas convenções e agora somos vítimas de nossa criação.

Olhem para todos os excluídos, para tudo, não excluam ninguém! O passado, o presente e o futuro; o alto, o baixo e o médio; o pobre, o rico e o remediado; o quente, o frio e o temperado.

Olhem para todos os excluídos, não excluam ninguém! A luz, a escuridão e a sombra; o forte o fraco e o médio; o branco, o preto e o cinza; enfim, o muito, o pouco e o mais ou menos.

Olharam?

Não parece que para todas as coisas vemos sempre três aspectos dentro de uma mesma classe? Realmente, parece ser sempre três aspectos. Mas assim, acabamos excluindo o quatro, o cinco, etc., e nós não devemos excluir ninguém, temos que olhar para tudo e todos sem exclusão.

Temos que olhar para o todo completo, o “UM”!

“UM”, como sendo a definição de tudo e do todo.

Olhar não significa só usar os olhos, pois que só olhando com os olhos excluímos a audição, o tato, o paladar, a voz, o olfato. Devemos olhar com todos os nossos sentidos.

E assim mesmo não nos é possível observar o todo completo sem que haja excluídos.

Onde está a perfeição? Está excluída.

Onde está a pureza? Está excluída!

Mas, fomos nós mesmos que nos excluímos da perfeição e da pureza!

Se somos excluídos da perfeição, nossas obras, palavras e ações não podem ser perfeitas.

Porém, à luz da razão, à luz da Cultura Racional, vamos olhar para todos os excluídos sobre todos os aspectos e ver que, dentro de uma mesma classificação, os três aspectos enumeradas podem ser resumidos em dois.

No passado, presente e futuro, eliminamos o presente, pois aquele instante que dizemos ser o presente, quando acabamos de dizer, esse instante já é passado.

“Agora”! E esse instante já faz parte do passado.

No alto, baixo e médio, eliminamos o médio, pois o que é o médio? Ou é alto, ou é baixo. O médio nada mais é que a mistura do alto com o baixo. Só existe o alto e o baixo, o médio nada mais é que a mistura dos dois, assim como o cinza é a mistura do preto com o branco; o remediado é a mistura do rico e com o pobre; o temperado é a mistura do quente com o frio; e assim por diante, o ponto médio é sempre a mistura de dois extremos.

Por isso, por enquanto, analisemos apenas os dois extremos.

Todos os outros pontos não serão excluídos, serão sim considerados como a mistura dos dois extremos em diferentes proporções.

Por exemplo: misturando preto com branco podemos obter cinza escuro, cinza claro, cinza mais claro, etc.

O branco e o preto são os dois extremos; representam as duas forças que assim nos fazem pensar e imaginar– a Energia Elétrica  e a Energia Magnética.

Segundo a ciência, o pigmento branco reflete todas as cores e o pigmento preto não reflete nenhuma, absorve todas as cores.

E o cinza, o que é?

O cinza é a mistura do branco com o preto. Podemos então dizer que o cinza é uma mistura que reflete todas as cores, por conta do branco e, ao mesmo tempo, não reflete nenhuma, absorve todas as cores, por conta do preto.

Então, vejam, o cinza representa a mistura da presença com a ausência. Em outras palavras: se o branco representa a existência e o preto a não existência, vejam que o cinza representa a soma da existência com a não existência.

Então o cinza existe ou não existe?

Vejam que confusão! Mas é claro, esta confusão é feita à luz da ciência humana, pois analisando o branco, o preto e o cinza, assim conceituados pela ciência, ela mesmo se prova que não existe, pois tem em si a existência e a não existência, o ser e o não ser, tem dentro de si os dois extremos.

Quem fez a ciência? Os homens!

O que são os homens? São produtos de dois extremos: o elétrico e o magnético. O extremo elétrico, polo positivo e o extremo magnético, polo negativo.

E é por isso que o homem buscando a verdade nos extremos nunca encontrou nada de sólido e muito menos nos intermediários.

Mas, à luz da Cultura Racional é simples: os extremos é que não existem verdadeiramente. Tudo é uma coisa só! Tudo é uma coisa só! Tudo é Racional.

O branco e o preto são uma coisa só! O cinza também. Se assim distinguimos o branco do preto, excluindo o preto do branco, é porque estamos influenciados por duas forças: a Elétrica e a Magnética.

São Elas que nos fazem distinguir coisas iguais como sendo diferentes.

E agora tudo é tão simples!

No mundo em que vivemos, estas duas forças é que nos causam o vislumbre de exclusão. Se estamos num extremo, o outro fica excluído. Por isso é que a nossa vida é confusa, por isso é que somos encantados.

Não existem extremos verdadeiramente. Os extremos são gerados aqui na deformação elétrica e magnética. São aparências.

Devido à nossa formação elétrica e magnética é que diferenciamos tudo, excluindo todos e olhando só para nós, só para o nosso extremo, não importa ele qual seja. Eis o porquê do egoísmo ser inerente à matéria.

Excluídos somos nós que nos fizemos assim, mas pouco falta para sermos incluídos no todo Racional.

Excluídos são os encantados.

Estão excluídos de um conjunto harmonioso Racional.

Incluídos serão todos os desencantados, pois voltarão a fazer parte deste conjunto perfeito onde não há extremos, tudo é uma coisa só, tudo é Racional: puro, limpo e perfeito.

Para você saber o que é, e sentir-se como incluído, desencante-se, leia o Livro Universo em Desencanto, para alcançar o desenvolvimento do Raciocínio.